viernes, 31 de agosto de 2012

A Jornada e sua programação


29/10/2012 – SEGUNDA-FEIRA
LOCAL: AUDITÓRIO (Adamastor Pimentas - Unifesp)

COMISSÃO ORGANIZADORA
Profa. Paloma Vidal
Prof. Markus Lasch

MONITORES
Carlos Henrique Vieira
Joabson Santos Pereira
Mariane Tavares

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

14:00 – 15:30 – Entre margens e cânones
Sérgio de Sá (UnB)
Bruno Zeni (USP)
Rita Palmeira (USP)
Mediação: Carlos Henrique Vieira

Coffee Break

16:00 – 17:30 – Escrever de fora
Stefania Chiarelli (UFF)
Idália Mojerón (USP)
Paloma Vidal (Unifesp)
Mediação: Mariane Tavares

18:00 – 19:30 - Os fins da literatura
Marcos Natali (USP)
Luciene Azevedo (UFBA)
Eduardo Sterzi (Unicamp)
Mediação: Joabson Santos Pereira

20:00 - Conversa com Bernardo Carvalho
Mediação: Markus Lasch

A proposta da jornada


A I Jornada de Literatura Contemporânea da Universidade Federal de São Paulo, a ser realizada no dia 29 de outubro de 2012, na Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, no Campus Guarulhos, tem como objetivo colocar em discussão os limites da concepção moderna da literatura enquanto meio privilegiado de formação e transformação do homem, de modo a reconsiderar os estatutos ético e estético da literatura e a compreender seu lugar no passado e no presente. Apresentando o tema “A literatura e seus fins”, a jornada pretende aprofundar esse debate, a partir de perspectivas teóricas e críticas heterogêneas.
Para tanto, foram convidados professores doutores de diferentes universidades do Estado de São Paulo (USP/Unicamp) bem como de outros Estados (UnB/UFBA/UFF). Além disso, foi convidado para a mesa de encerramento da jornada o escritor Bernardo Carvalho, cuja presença proporcionará aos alunos e à comunidade acadêmica a oportunidade de discutir as questões mencionadas acima a partir da perspectiva de quem escreve literatura atualmente.

sábado, 25 de agosto de 2012


Participe conosco!

Apresentando o tema “A literatura e seus fins”, a jornada pretende aprofundar o debate sobre literatura contemporânea a partir de perspectivas teóricas e críticas heterogêneas. Entre os convidados confirmados estão Marcos Natali (USP), Eduardo Sterzi (Unicamp), Luciene Azevedo (UFBA), Sérgio de Sá (UnB) e Stefania Chiarelli (UFF). Além disso, teremos uma mesa de encerramento com o escritor Bernardo Carvalho.    
ACOMPANHE A PROGRAMAÇÃO COMPLETA EM BREVE!!!


viernes, 2 de diciembre de 2011

II Seminário Internacional de Crítica Literária

quarta 7 a sexta 9 de dezembro
A crítica literária atual se depara com um cenário novo e desafiador. Como lidar com as interações entre autor e exposição midiática intensa, produção literária e intercâmbio cultural, literatura e hibridismo artístico? Qual o sentido da crítica nos dias de hoje? De 7 a 9 de dezembro, o II Seminário Internacional de Crítica Literária explora essas questões, na sede do Itaú Cultural, em São Paulo.

Participam do evento intelectuais e críticos brasileiros e estrangeiros como Marjorie Perloff (Estados Unidos), Marisa Lajolo (Brasil), João Cezar de Castro Rocha (Brasil), David Toscana (México), Berthold Zilly (Alemanha), Luiz Costa Lima (Brasil) e Mario Perniola (Itália), além de outros escritores, teóricos, tradutores e filósofos, de várias nacionalidades e linhas de pensamento.

São 8 convidados internacionais e 11 nacionais. Os debates têm curadoria da escritora, professora e pesquisadora Maria Esther Maciel e da consultora e produtora cultural Selma Caetano. A mediação será realizada por 6 especialistas brasileiros.
Confira abaixo a programação e mais detalhes sobre os entrevistados.


II Seminário Internacional de Crítica Literária
quarta 7 a sexta 9 de dezembro

entrada franca - ingresso distribuído com meia hora de antecedência
reserva para grupos: itaucultural@comunicacaodirigida.com.br


quarta 7

17h30 O Papel da Crítica no Jogo entre Realidade e Ficção
com David Toscana (México) e José Castello (Brasil)
A literatura não tem compromisso algum com a explicação, mas, sim, com a invenção. Os escritores já não se iludem: a literatura não é, e nunca foi, um espelho capaz de refletir, com nitidez e perfeição, o mundo real. Em que medida, no complexo, veloz e fragmentado século XXI, a literatura ainda pode – se é que um dia conseguiu fazer isso – dar conta da realidade?

20h A Crítica Biográfica e os Desafios da Ficção
com Italo Moriconi (Brasil), Leonor Arfuch (Argentina) e Marisa Lajolo (Brasil) | mediação Regina Zilberman
A valorização midiática da figura do escritor, aliada à profusão editorial de obras biográficas e autobiográficas, tem exigido da crítica contemporânea um reposicionamento diante das complexas relações entre vida e literatura, autor e obra, realidade e ficção. Que estratégias de abordagem têm sido usadas pela crítica no trato dessas questões? Até que ponto a vida de um autor serve como referência para a leitura de uma obra?


quinta 8


15h A Tradução como Crítica
com Berthold Zilly (Alemanha), Márcio Seligmann-Silva (Brasil) e Paulo Henriques Britto (Brasil) | mediação Marcelo Tápia
Tradução, crítica e criação são práticas interligadas. O ato de traduzir implica um diálogo crítico-criativo com outras culturas e com a própria tradição literária, interferindo também, de forma incisiva, no próprio fluxo da produção literária do presente. Em que medida, nesse movimento, a tradução reinventa também seus próprios conceitos e mecanismos de leitura? O que define a força crítica do trabalho de tradução?

17h30 A Crítica de Poesia em Tempos Digitais
com André Vallias (Brasil), Eduardo Sterzi (Brasil) e Marjorie Perloff (Estados Unidos) | mediação Lourival Holanda
O advento de novos suportes digitais tem possibilitado o surgimento de expressões poéticas cada vez mais híbridas, mediadas por diferentes relações entre texto, imagem, interatividade e vários recursos multimídia. Como a crítica de poesia tem lidado com essas mudanças? Em que medida ela tem criado novos procedimentos e fundamentos de abordagem e reflexão para lidar com as linguagens poéticas do mundo digital?

20h A Crítica Literária como Intercâmbio Cultural
com Antonio Gonçalves Filho (Brasil), João Cezar de Castro Rocha (Brasil) e Martín Kohan (Argentina) | mediação Luiz Ruffato
A crítica quase sempre desempenhou o papel de avalizadora da produção literária e, assim, serviu como parâmetro principal do intercâmbio cultural entre os países. Em tempos de rápida circulação de informações, a crítica literária ainda tem espaço para desempenhar esse papel? Se não, quais são os novos mecanismos disponíveis e quais as consequências da substituição da crítica literária por eles?


sexta 9

17h30 Crítica Literária Hoje: Impasses e Desafios
com Joan Ramon Resina (Estados Unidos), Josefina Ludmer (Argentina) e Luiz Costa Lima (Brasil) | mediação Sérgio Alcides
Os equívocos em torno da palavra crítica: se não é um gênero literário, o que pode ser? O crítico é um "juiz da arte", um mediador que facilita o acesso do público ou alguém que exerce uma reflexão sistemática sobre a obra literária? Qual é a validade da crítica hoje? Quais são seus grandes desafios e impasses?


20h Crítica e Interdisciplinaridade
com Aurora Bernardini (Brasil) e Mario Perniola (Itália) | mediação Ivan Marques
O entrecruzamento de diversos saberes e campos disciplinares tornou-se uma das linhas de força do cenário crítico contemporâneo. Como a crítica literária tem lidado com essa flexibilização de fronteiras, abrindo-se ao diálogo e às interseções com outras formas de conhecimento, como a filosofia, os estudos culturais, a sociologia e a política? E até que ponto a prática da interdisciplinaridade tem redimensionado o papel da crítica literária hoje?


Itaú Cultural – Sala Itaú Cultural (247 lugares) | Avenida Paulista 149 – Paraíso [próximo à Estação Brigadeiro do Metrô]

informações: 11 2168 1777 | youtube.com/itaucultural | twitter.com/itaucultural | facebook.com/itaucultural | atendimento@itaucultural.org.br | itaucultural.org.br

jueves, 22 de septiembre de 2011

Palestra de Ricardo Piglia


Na Livraria Cultura da Paulista
dia 26/09 (segunda-feira)
às 20hs.

Mais informações:
http://www.livrariacultura.com.br/scripts/eventos/resenha/resenha.asp?nevento=23978

viernes, 2 de septiembre de 2011

VI Encontros de Interrogação

quarta 7 a sexta 9 de setembro

entrada franca - ingressos distribuídos com meia hora de antecedência

quarta 7

17h O que Faz um Autor Diante do Próprio Silêncio?
com Adriana Lunardi, Daniel Galera, João Anzanello Carrascoza e Marçal Aquino
mediação Marcelo Moutinho

O que representam, para um escritor, os momentos em que ele não escreve – em viagens, em contato com outros autores e leitores, participando de palestras ou mesmo imerso em leitura? A pausa na produção angustia ou auxilia o processo criativo?

sala vermelha 70 lugares

18h30 Escrever É Apenas Narrar?
com João Silvério Trevisan, Joca Reiners Terron, Nelson de Oliveira, Paulo Scott e Rubens Figueiredo
mediação Paulo Werneck

A representação do real ainda tem espaço na contemporaneidade ou contar uma história já não é mais contemporâneo? Qual é o espaço da narrativa num momento em que, ao que parece, a forma precisa ser constantemente reinventada?

20h A Literatura de Lygia Fagundes Telles – Uma Homenagem
com Lygia Fagundes Telles, Fabricio Carpinejar, Marcelino Freire e Maria José Silveira
mediação Flávio Carneiro

O que é literatura? Hoje, mais do que nunca, a pergunta faz-se necessária, pois escritos de diversas naturezas ganham status de trabalho literário, mas não se sabe muito bem o que é joio e o que é trigo. A literatura com L maiúsculo sofre alguma ameaça quando os critérios de julgamento parecem cada vez mais instáveis?

sala itaú cultural 247 lugares


quinta 8

15h Como as Intranquilidades do Mercado Editorial Interferem no Processo de Criação?
com Carola Saavedra, Frederico Barbosa, Luiz Ruffato e Ronaldo Correia de Brito
mediação Flávio Moura

Como acontece o approach com um editor? Blogs e afins se firmam como espaços nos quais autores postam obras à revelia de um julgamento prévio. Postar ou publicar? Por onde caminham os autores em busca da consolidação profissional?

sala vermelha 70 lugares

16h30 As Intranquilidades Diante da Primeira Página: Como Atravessá-la sem Desistir?
com Fernando Bonassi, João Paulo Cuenca, Luiz Vilela e Paloma Vidal
mediação Claudiney Ferreira

Aquelas questões, tão antigas quanto atuais e eternas: como se dá o primeiro risco na página em branco – inspiração, leitura, pesquisa? Como e onde buscar as primeiras palavras, os temas e as reflexões? E quando a insegurança bate forte e o que se escreveu vira rascunho descartado? O que se foi merece ser revisitado?

sala itaú cultural 247 lugares

18h Qual É o Espaço da Crítica de Ficção e de Poesia Hoje?
com André Vallias, Claudio Daniel, Claufe Rodrigues e João Cezar de Castro Rocha
mediação Marcos Strecker

Qual é o papel, e como se dá a formação, do crítico literário brasileiro? Pode-se associar a suposta crise da literatura a uma crise da reflexão crítica? Quais são os espaços abertos à reflexão existentes hoje no Brasil?

sala vermelha 70 lugares

20h Como Nasce uma Obra Quanto ao Gênero?
com Ivana Arruda Leite, Maria Esther Maciel, Michel Laub e Regina Dalcastagnè
mediação Luís Antônio Giron

Quando uma obra é um romance? Quando algumas frases viram um poema? Prosa, poesia: esses termos ainda têm o mesmo sentido de antes? Como se dá o enquadramento de determinado texto dentro das tradicionais classificações literárias? As novas plataformas criam outros gêneros?

sala itaú cultural 247 lugares


sexta 9

15h Vamos Subverter a Geografia Literária?
com Cíntia Moscovich, Claudia Roquette-Pinto, Ferréz e João Filho
mediação Mário Hélio Gomes

Como os autores marginais se centralizam e vice-versa? Como chegar a públicos diversos? Ou ainda: o que significam, hoje, esses termos? O que é margem e o que é centro?

sala vermelha 70 lugares

16h30 Quais São os Limites entre a Biografia e a Ficção?
com Bartolomeu Campos de Queirós, Micheliny Verunschk, Miguel Sanchez Neto e Tatiana Salem Levy
mediação Claudia Nina

Quando o que se deseja é a confissão, como fazer isso o mais literariamente possível? Quais são os limites entre o que é ficcional e o que é biográfico? O que é autoficção?

sala itaú cultural 247 lugares

18h A Literatura Infantil e Seus Passos de Gigante: A Quantas Anda o Gênero no Brasil?
com Eva Furnari, Leo Cunha, Marcia Camargos e Marisa Lajolo
mediação Suzana Vargas


Como a literatura infantil no Brasil se renova a partir de sua tradição? Existe uma tendência internacional seguida por autores nacionais? Há critérios claros que separam a ficção adulta da ficção infantil?

sala vermelha 70 lugares

20h Mesa de Encerramento
com Beatriz Resende, Cristovão Tezza, Florencia Garramuño e Lourival Holanda
mediação Manuel da Costa Pinto

Nesta última mesa, serão debatidas as declarações e ideias lançadas pelos escritores, críticos, pesquisadores e jornalistas que participaram desta edição do Encontros de Interrogação.

sala itaú cultural 247 lugares


Itaú Cultural | Avenida Paulista 149 - São Paulo SP [próximo à Estação Brigadeiro do Metrô] | informações: 11 2168 1777 | atendimento@itaucultural.org.br | itaucultural.org.br | twitter.com/itaucultural | youtube.com/itaucultural | facebook.com/itaucultural

Sobre Del cielo a casa


por Martín Kohan

Hay libros que se escriben con sucesos. Los de Hebe Uhart se escriben con sucedidos. Es decir, se escriben con cosas que a la autora le pasaron o le contaron, sin requisitos de grandiosidad. No se trata de una mera disposición autobiográfica, sino de la convicción, que en Uhart es notoria, de que no existe escritura hasta que no existe encarnadura en la experiencia. Por eso dice de un cuento como “Él”, que está en Guiando la hiedra: “lo pude escribir recién cuando perdí las ilusiones adolescentes”. Y algo parecido de otro cuento, “¿Cómo vuelvo?”: “cuando a mí me empezó a pasar lo que le pasaba a esa señora, recién ahí lo pude hacer”.
Esta disposición no es inusual, ciertamente, y es incluso bastante reconocible; pero en Uhart adquiere, sí, cierto matiz menos frecuente. Quienes escriben desde sus experiencias tienden a multiplicar esas experiencias. Y quienes asimilan la literatura al mundo existente tienden a ampliar las fronteras de ese mundo. Pero Uhart no. Uhart en cambio dice: “Es muy circunscripto el mundo mío”. Y de inmediato agrega: “Yo no soy aventurera”. La suya resulta entonces una literatura de la experiencia, pero de una experiencia atenuada, de baja intensidad, una experiencia siempre módica (tal vez por eso su literatura podría admitir, en este sentido, el atributo de minimalista. Es Uhart quien no lo admite: “¿Quién dictamina para escribir las cosas que son mínimas o máximas? No hay jerarquía de lo que es importante para escribir. La importancia se la da el que escribe”).
Porque en la base de sus narraciones está la experiencia, en Del cielo a casa abundan los cuentos cuyo tema es un viaje (viajes a Alemania, a una pequeña ciudad de la provincia de Buenos Aires, a la frontera de Uruguay con Brasil, o el viaje de un holandés a la ciudad de Buenos Aires). Se esperaría entonces la secuencia característica: viajar, vivir, contar. Pero los que viajan en estos cuentos, viajan queriendo volver, esperando volver, porque el gusto del viaje es volver para encontrar todo distinto (“la casa distinta”, dice Hebe Uhart, dejando ver que en su propia casa transcurre la parte de los viajes que más le agrada: “me gustaría tener el don de la bilocación”). Mientras viajan, es menos lo que viven que lo que observan (como Felisberto Hernández, al que Uhart señala como su referente, que “no hace más que mirar y mirar”). Viajan y viven, por lo tanto, y luego cuentan; pero viajan incómodos y viven mirando, y lo que cuentan está por eso impregnado sobre todo de contemplaciones, de observaciones agudas, de leves o no tan leves descolocaciones, de inadecuaciones discretas, desajustes cotidianos, el lento incordio de las cosas que cambian (igual que en Mudanzas, una novela donde no hay viajes pero sí paso del tiempo, y con el paso del tiempo, cambios lentos pero inexorables).
Cuando Hebe Uhart habla de los textos que escribe, uno puede percibir lo mismo que se percibe en esos mismos textos: que le importa poco, o nada, hacer alguna distinción entre la literatura y la vida. Uhart se inclina por comunicar ambas cosas de la manera más fluida, como si estuviesen en una relación de plena continuidad; o aún más: como si se tratase de un solo mundo. Escribe sus relatos con cosas que han pasado, con sucedidos, y luego, al hablar de esos relatos, para el caso de los que integran Del cielo a casa, entrevera sin sentir ningún salto las anécdotas reales y las referencias a la elaboración de los cuentos: lo que ha vivido y lo que ha escrito. Hablar de “Congreso”, por ejemplo, el texto donde se cuenta el viaje a Alemania, es para ella lo mismo que hablar del propio viaje (“Yo me llevaba mejor con los uruguayos”), y así puede uno calcular que, de la misma forma, en la vivencia del viaje ya se encontraba de alguna manera el cuento.
Estos pasajes, que a otros les llevan mucho tiempo, o muchas páginas, Hebe Uhart los resuelve de un tirón. Y es que ciertamente escribe de un tirón. Su método consiste en pensarlo todo muy bien antes, porque “es difícil arreglar lo que salió mal; tiene que estar bien estructurado de arranque”. Prefiere no tener que resolver sobre la marcha, ni tener que corregir después: si sale bien, queda; si no, se descarta (la metáfora que prefiere para definir la escritura de un texto no es la más habitual, y la refrendada por la etimología, del texto como tejido. Uhart prefiere la imagen del corte de un vestido: si sale bien, sale bien de una vez, y si no sale bien, hay que tirarlo todo. Arreglo no tiene).
Hebe Uhart evidencia un entusiasmo particular al ilustrar esta tesitura con un modelo que no pertenece al mundo literario (“yo soy como un escribano de La Plata, que decía: yo Tribunales no hago. Yo pienso todo bien antes, y después salgo un solo día a hacer todo lo que tengo que hacer”). Y es que esa no pertenencia de alguna manera la define. Varios de los personajes que aparecen en Del cielo a casa (escritores, escritoras, conferencistas, poetas de pueblo o de provincia) manifiestan un mismo sentido de la inadecuación: no se adaptan ni se ubican, no ya dentro de la vida cotidiana, sino dentro de la vida literaria. No encajan y por no encajar van quedando progresivamente aislados (les pasa con el mundo literario lo mismo que con los lugares a los que viajan: no se pueden integrar). De esa misma manera se define Uhart: “En el mundo literario hay mucha rivalidad, hay mucha exposición. Y a mí no me gusta pelear, yo no compito”. Provenir, como proviene, del campo de la filosofía, le abre otras posibilidades: “En filosofía está menos expuesta la persona. Baja el nivel de competitividad: reconocer que otro sabe más que yo parece más fácil que reconocer que otro escribe mejor que yo”.
Cierto repliegue personal practicado por Uhart no es ni siquiera una estrategia. Es una disposición de ánimo y hasta cierto punto una precaución contra la envidia (“Yo debo tener miedo de la envidia ajena. Miedo de que se enojen conmigo”). Es decir que no solamente no incurre en esa actitud, por lo demás tan frecuente, de anteponer la figuración personal del escritor a la significación de lo que escribe, sino que tampoco apela a un bajo perfil tan artificial como calculado. Sencillamente (no es que sea sencillo, pero llega a parecerlo cuando ella habla de lo que le pasa y de lo que escribe con lo que le pasa), Uhart deja que su literatura transcurra entre la vida y la escritura, y hace a un lado tanto las veleidades personales como el destino de los libros ya publicados (algunos de ellos se consiguen: los de Simurg, Señorita y Guiando la hiedra, o Mudanzas, reeditado por Mondadori; otros son inhallables; otros hay que rastrearlos en librerías de viejo, donde la propia Uhart alguna vez los ha comprado y alguna vez los ha vendido).
Hebe Uhart puede desprenderse sin gran esfuerzo de sus libros, de los que lee y de los que ha escrito, tal como se desprende de los textos que no le salieron bien de movida o de los mustios brillos del mundo literario. La literatura de Hebe Uhart responde así a una motivación, siempre bien definida, que está en el mundo de la vida; de las consecuencias y de los efectos, sin embargo, parece desentenderse, dejarlos especialmente librados a los editores, a los lectores, a la suerte de los libros. Es marcado el entusiasmo con que habla de las cosas que ha escrito (lo que para el caso significa: la manera en que sucedieron las cosas sobre las que ha escrito). Sobre todo lo restante, en cambio, es como si dijera: “preferiría no hacerlo”.